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L-Ornitina – O que é, para que serve e benefícios

L-Ornitina – O que é, para que serve e benefícios

O aminoácido ornitina é uma das substancias mais desconhecidas dentro do âmbito desportivo. Durante os últimos anos utilizou-se como potenciador do rendimento desportivo ou favorecedor do entorno hormonal. Vamos a contar te suas contribuições reais.

O que é a L-Ornitina?

A L-Ornitina é um aminoácido unido a um átomo de carbono em isómero L-.

Este aminoácido pode ser encontrado em alimentos como o arroz salvaje, as castanhas do Brasil e o orégão, entre outros.

A ornitina produz se no organismo, ou seja, é um aminoácido não essencial; também não é um aminoácido protéico, já que sua síntese produz se na parte central do ciclo da ureia, sendo um intermediário deste processo metabólico.

Cumpre funções (acordes a este processo) de agente regulador do excesso de nitrogénio; e assim mesmo é o aminoácido precursor da citrulina e arginina, através da ação da enzima Ornitina Transcarbamilasa (OTC) em um processo localizado nas mitocondrias, pelo que para sua síntese é necessária uma correta funcionalidade mitocondrial.

ornitica

Figura I. Ciclo da ureia com mediadores e reações enzimáticas.

Usos gerais da L-Ornitina

A ornitina é um aminoácido relativamente desconhecido no entorno desportivo, a pesar de que foi estudado como agente potenciador do rendimento desportivo, favorecedor do entorno hormonal, como apoio para a mediação do ciclo de ureia e a conversão do amonio em ureia para sua posterior eliminação.

Benefícios da L-Ornitina

Uma evidência científica que sustenta os benefícios da suplementação com este aminoácido é muito limitada

A priori parecia que a búsqueda mais evidente eram as causas do deficit de ornitina sérica no organismo, as quais são fatais, resultando em hiperamonemia e mostrando em modelos animais (ratas) como morriam aos 14 dias por causa de um excesso na concentração do amonio (Deignan et al. 2006)[1], substancia muito tóxica no caso de não poder ser convertida a ureia e por tanto expulsada pela urina.

A deficiência de condicional de ornitina é uma condição extremadamente estranha, embora, ante esta situação, e em função do grau da mesma produzira ma disfunção do ciclo da ureia que resultaria  num aumento da concentração de amonio, que resulta letal.

A maior parte das causas de deficiência de ornitina no organismo vem devenidas por um excesso de lisina, crescimento, gravidez, traumas, restrição da toma protéica extrema (Zieve, 1986)[6] ou deficiências na actividade enzimática de alguma das enzimas envolvidas no ciclo da ureia, normalmente OTC ou OAT (caso do estudo anteriormente citado em ratos), o qual faz que os níveis da arginina aumentam, enquanto que os da ornitina diminuem drasticamente no organismo, resultando numa hiperamonemia mortal por deficiência do condutor (ornitina) do ciclo da ureia.

A suplementação com ornitina neste aspecto é pouco útil, realmente aos casos de traumas extremos ou deficiências enzimáticas são extremadamente graves e deve ser tratados por um profissional sanitário especializado no caso.

No caso de déficit condicional na dieta, simplesmente através do restabelecimento da ingestão da mesma, seria suficiente para restabelecer as concentrações de ornitina orgânica quando necessário.

L-Ornitina no desporte

A ornitina foi utilizada amplamente no entorno culturista, sem saber bem por que, simplesmente ante suposições fundamentadas sobre nenhum sustento científico.

Certamente a evidencia que existe sobre o uso da ornitina é muito difusa e contraditória, vamos presentar alguns estudos com resultados favoráveis e desfavoráveis.

Estudos sobre la L-Ornitina

Em primeiro lugar, existe um estudo de Ho et al. (2017)[2] onde administrou-se L-Ornitina intraduodenalmente em ratos. O resultado do experimento concluiu que administração intraduodenal (mas não a estomacal ou hipotalámica) da L-Ornitina aumentava a expressão mRNA da Grelina; que ao ser agonista direto do seu receptor (envolvido na secreção de hGH) aumentava as concentrações plasmáticas da hormona de crescimento de forma significativa na gestão de 24mMol/kg da L-Ornitina.

ingesta ornitina

Figura II. Concentrações séricas da hGH (ng/ml) em 5, 10, 15, 30 e 60’ tras a ingesta intraduodenal de um placebo vs 3mMol/kg de L-Ornitina vs 24mMol/kg de L-Ornitina em ratos. (Ho et al. 2017)

Depois dos estudos desta índole há hipotese sobre a possibilidade de que a hGH seja uma hormona sensível ação da Grelina cuja secreção  se estimulada depois do consumo da L-Ornitina; embora, ja em 1993, Labert et al. [4] Demonstram que  a ingesta oral de 1.85g de um suplemento de L-Ornitina/L-Tirosina (B) não aumentava as concentrações séricas de HGH de forma significativa.

gradica ornitina

Figura III. Concentrações séricas de hGH (ng*min/ml) depois da ingesta  oral de 1.85g. de um suplemento de L-Ornitina+L-Tirosina em humanos (columna B) vs valor de referência (Placebo) vs 0.5mcg. GHRH (coluna GHRH). (Lambert et al. 1993)

Apesar disso, considerando a baixa quantidade de L-Ornitina administrada em conjunto com outro aminoácido em quantidades não especificadas, não é possível concluir nada sobre o assunto, uma vez que nos falta literatura científica com doses maiores.

Diminuição do cortisol

Talvez o estudo mais revelador foi o que realizou por Miyake et al. (2014)[5], no qual ingeriu 500mg de L-Ornitina monohidrocloruro por via oral a 52 indivíduos saudáveis.

Neste estudo concluiu-se que os marcadores analisados como DHEA-S aumentaram, enquanto o cortisol diminuiu.

cortisol

Figura IV. Concentrações da DHEA-S, Cortisol e Ratio C:D durante 8 semanas depois da ingesta de L-Ornitina (ponto escuro) vs placebo (ponto claro) (Miyake et al. 2014)

Houve melhora no perfil do estado emocional analisado por meio da escala POMS..

POMS

Figura V. Marcadores de humor na escala POMS (A, Tensão-Ansiedade; B, Depressão; C, Aborrecimento-Hostilidade; D, Vigor; E, Fatiga; F, confusão) durante 8 semanas depois da ingesta da L-Ornitina (ponto escuro) vs placebo (ponto claro) (Miyake et al. 2014)

Marcadores de insónia

A qualidade do sono avaluada com OSA-MA e os marcadores de insónia (AIS) melhoraram significativamente.

sono

Figura VI. Marcadores qualidade do sono na escala OSA (A, Sonolência ao levantar; B, Iniciação e mantimento do sono; C, Sono frequente; D, “reparação depois do sono; E, Duração do sono) durante 8 semanas depois da ingesta da L-Ornitina (ponto escuro) vs placebo (ponto claro) (Miyake et al. 2014)

insonio

Figura VII. Marcador de insónia  em escala ISA durante 8 semanas depois da ingesta da L-Ornitina (ponto escuro) vs placebo (ponto claro) (Miyake et al. 2014)

Com estes resultados podemos concluir que a ingesta de só 400mg da L-Ornitina base diariamente melhorarão os marcadores de stress assim como a qualidade do sono do individuo tão só 8 semanas.

Além disso, podemos encontrar outros estudos que apresentam resultados semelhantes, como o estudo de Kurata et al. (2012) [3] em modelos animais.

Referências Bibliográficas

  1. Deignan, J. L., Livesay, J. C., Yoo, P. K., Goodman, S. I., O’Brien, W. E., Iyer, R. K., … Grody, W. W. (2006). Ornithine deficiency in the arginase double knockout mouse. Molecular Genetics and Metabolism, 89(1–2), 87–96. https://doi.org/10.1016/j.ymgme.2006.04.007
  2. Ho, Y. Y., Nakato, J., Mizushige, T., Kanamoto, R., Tanida, M., Akiduki, S., & Ohinata, K. (2017). l-Ornithine stimulates growth hormone release in a manner dependent on the ghrelin system. Food & Function, 8(6), 2110–2114. https://doi.org/10.1039/c7fo00309a
  3. Kurata, K., Nagasawa, M., Tomonaga, S., Aoki, M., Akiduki, S., Morishita, K., … Furuse, M. (2012). Orally administered L-ornithine reduces restraint stress-induced activation of the hypothalamic-pituitary-adrenal axis in mice. Neuroscience Letters, 506(2), 287–291. https://doi.org/10.1016/j.neulet.2011.11.024
  4. Lambert, M. I., Hefer, J. A., Millar, R. P., & Macfarlane, P. W. (1993). Failure of commercial oral amino acid supplements to increase serum growth hormone concentrations in male body-builders. International Journal of Sport Nutrition, 3(3), 298–305.
  5. Miyake, M., Kirisako, T., Kokubo, T., Miura, Y., Morishita, K., Okamura, H., & Tsuda, A. (2014). Randomised controlled trial of the effects of L-ornithine on stress markers and sleep quality in healthy workers. Nutrition Journal, 13, 53. https://doi.org/10.1186/1475-2891-13-53
  6. Zieve, L. (1986). Conditional deficiencies of ornithine or arginine. Journal of the American College of Nutrition, 5(2), 167–176.

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Valoração L-Ornitina

Uso no desporto - 100%

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100%

HSN Evaluação: 5 /5
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